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UGC no agronegócio: o que é conteúdo gerado pelo usuário e como aplicar

UGC no agronegócio: o que é conteúdo gerado pelo usuário e como aplicar

No agronegócio, ninguém confia mais em uma empresa do que outro produtor confia em um vizinho que já usou o produto. É exatamente por isso que o UGC — conteúdo gerado pelo usuário — se tornou uma das estratégias de marketing mais poderosas e baratas do setor. Ele transforma clientes satisfeitos em uma força de vendas orgânica e crível.

Neste guia você vai entender o que é UGC, por que ele funciona tão bem no campo, como incentivar seus clientes a produzirem esse conteúdo e como aplicar tudo isso de forma prática para gerar mais autoridade e mais vendas.

O que é UGC (conteúdo gerado pelo usuário)

UGC é a sigla em inglês para User Generated Content, ou conteúdo gerado pelo usuário. Na prática, é todo material — foto, vídeo, depoimento, review, comentário, post em rede social — criado espontaneamente por clientes, e não pela marca. Em vez de a empresa falar de si mesma, é o próprio usuário quem mostra o produto funcionando, conta sua experiência e recomenda.

Esse conteúdo pode aparecer de várias formas no agronegócio: o produtor que grava um vídeo mostrando o resultado de um bioinsumo na lavoura, o operador que posta a colheitadeira nova em ação, o técnico que compartilha um antes e depois do manejo, ou o cliente que responde um post elogiando o atendimento da revenda. Tudo isso é UGC.

A diferença fundamental para a publicidade tradicional é a origem da mensagem. No anúncio, a marca diz “meu produto é bom”. No UGC, um par — alguém igual ao público-alvo — diz “esse produto funcionou para mim”. Essa mudança de voz é o que gera confiança em um setor onde a decisão de compra envolve valores altos e risco real de safra.

É importante não confundir UGC com marketing de influenciadores. No marketing de influência, você contrata alguém com audiência para falar do seu produto, geralmente mediante pagamento e roteiro. No UGC verdadeiro, o conteúdo nasce de clientes reais, sem necessariamente grande audiência, e seu valor está justamente na espontaneidade. Um produtor com trezentos seguidores mostrando o resultado da sua colheita pode gerar mais confiança em quem o conhece do que um grande influenciador rural pago. As duas estratégias podem coexistir, mas cumprem papéis diferentes: o influenciador dá alcance, o UGC dá credibilidade.

Por que o UGC funciona tão bem no agronegócio

O produtor rural é, por natureza, cético e prático. Ele quer ver funcionando antes de investir, e a referência que mais pesa na decisão dele é a experiência de outro produtor da mesma região, com o mesmo clima, solo e cultura. O UGC entrega exatamente isso: prova social de quem já enfrentou o mesmo problema. Nenhum anúncio consegue reproduzir a credibilidade de um vizinho mostrando a lavoura no talhão ao lado.

Além da confiança, o UGC resolve um problema prático de marketing: a produção de conteúdo. Criar material técnico e visual constante é caro e trabalhoso. Quando seus clientes produzem parte desse conteúdo por você, o custo despenca e o volume aumenta. E como é conteúdo real, filmado no campo, ele tem uma autenticidade que o público percebe na hora — algo que estúdio e roteiro dificilmente alcançam.

Há ainda o efeito de comunidade. O agronegócio é movido a relacionamento, feiras, dias de campo e conversa de balcão. Quando um cliente é destacado pela marca por um conteúdo que ele criou, ele se sente valorizado e tende a comprar de novo e indicar mais. O UGC, portanto, não gera só marketing: fortalece a fidelização e cria embaixadores espontâneos.

Do ponto de vista de resultado, o UGC também tende a converter melhor do que a propaganda tradicional. Quando uma página de produto ou um anúncio traz depoimentos e vídeos reais de clientes, a taxa de conversão costuma subir, porque a prova social reduz a percepção de risco na hora da compra. Para o agronegócio, onde o produtor pondera muito antes de investir milhares de reais em um insumo ou equipamento, cada elemento que diminui a insegurança tem impacto direto no fechamento. É por isso que empresas maduras não tratam o UGC como enfeite, e sim como parte central da estratégia de conteúdo e de vendas.

Tipos de UGC que você pode usar

Antes de sair pedindo conteúdo, entenda que existem diferentes formatos de UGC, cada um com uma força específica. Alguns provam resultado, outros geram identificação, outros ainda educam. Saber qual tipo pedir e onde usar cada um é o que faz a estratégia funcionar. Veja os principais.

Depoimentos e cases são o formato mais direto: o cliente conta em texto ou vídeo o problema que tinha, o que fez e o resultado. Funcionam muito bem em landing pages, propostas comerciais e redes sociais. Já as fotos e vídeos de campo — produto em uso, máquina operando, lavoura respondendo ao manejo — são ideais para Instagram, WhatsApp e demonstrações, porque mostram o resultado concreto que o produtor quer ver.

Outro tipo valioso são as avaliações e comentários em redes sociais, grupos e marketplaces. Uma resposta positiva em um post, uma nota alta na página da revenda ou um comentário técnico em um grupo de produtores funcionam como microprovas sociais que se acumulam. Vale também incentivar os famosos “unboxings” e primeiras impressões, comuns quando chega uma máquina ou um insumo novo, e os conteúdos de bastidores, em que o cliente mostra a rotina usando sua solução.

Não subestime o poder do conteúdo de resultado ao longo do tempo. No agronegócio, o grande argumento é a evolução da safra: uma sequência de fotos ou vídeos do mesmo talhão, do plantio à colheita, mostrando como o produto se comportou, tem um valor persuasivo imenso. Estimular clientes a registrarem essa jornada — mesmo que de forma simples, com o celular — cria um acervo de cases de safra que você pode usar por anos. Outro formato subestimado é a resposta a dúvidas: quando um cliente comenta como resolveu um problema específico usando sua solução, esse conteúdo educa e convence outros produtores que enfrentam exatamente a mesma dificuldade.

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Como incentivar clientes a criarem conteúdo

O primeiro passo é o mais óbvio e o mais esquecido: pedir. Muitos produtores satisfeitos jamais pensaram em gravar um vídeo simplesmente porque ninguém sugeriu. Após uma entrega bem-sucedida, um resultado de safra positivo ou um atendimento elogiado, faça o convite de forma simples e direta, explicando que a opinião dele ajuda outros produtores a decidirem melhor.

Facilite ao máximo o processo. Dê um roteiro curto com três perguntas (“Qual era o problema? O que você usou? Qual foi o resultado?”), ofereça-se para gravar durante uma visita técnica ou envie um modelo de mensagem que ele só precisa aprovar. Quanto menos esforço você exigir do cliente, mais conteúdo vai receber. Lembre-se de que o produtor tem pouco tempo e não é criador de conteúdo profissional.

Reconhecimento e incentivos aceleram tudo. Repostar o conteúdo do cliente marcando ele, destacá-lo na sua página, mencioná-lo em um dia de campo ou criar um programa de indicação com benefícios reais faz com que produzir UGC vire algo desejável. E nunca se esqueça da parte formal: peça autorização de uso de imagem por escrito, garantindo que você pode usar aquele material em campanhas sem risco jurídico.

Uma tática eficiente é transformar o pedido de UGC em parte natural do processo de pós-venda. Em vez de esperar um momento aleatório, defina gatilhos: após a entrega de um equipamento, no encerramento de uma safra bem-sucedida, ou quando um cliente elogia espontaneamente o atendimento. Nesses instantes, a satisfação está no auge e a chance de um “sim” é muito maior. Você pode até criar campanhas sazonais convidando produtores a compartilharem os resultados da colheita, com um sorteio ou um brinde simbólico como estímulo. O segredo é tornar a produção de conteúdo algo recorrente e integrado à jornada do cliente, e não um pedido isolado e sem contexto.

Como aplicar o UGC na sua estratégia de marketing e vendas

No marketing, distribua o UGC nos canais onde o produtor está. Transforme depoimentos em posts, cortes de vídeo em reels, cases em artigos de blog e prints de comentários em provas sociais para anúncios. Um bom acervo de conteúdo de clientes alimenta suas redes por meses e reduz drasticamente a dependência de produção interna. Organize esse material em uma pasta por cultura, região ou produto para achar rápido o case certo na hora certa.

Nas vendas, o UGC é uma arma de fechamento. Quando um lead está indeciso, enviar o vídeo de um produtor parecido com ele, da mesma região, mostrando resultado, vale mais do que qualquer argumento técnico do vendedor. Monte uma biblioteca de cases segmentada e treine o time comercial para usar a prova social certa em cada objeção — de preço, de eficácia, de confiança na marca.

Pense nessa biblioteca de forma estratégica, mapeando as objeções mais comuns do seu processo de vendas e associando a cada uma o UGC que a neutraliza. Se a objeção recorrente é “será que funciona no meu tipo de solo?”, tenha cases de produtores em condições semelhantes. Se é “está caro”, tenha depoimentos que falem de retorno sobre o investimento e economia ao longo da safra. Se é “não conheço a marca”, tenha conteúdo de clientes tradicionais e respeitados na região. Com esse arsenal organizado, o vendedor deixa de improvisar e passa a responder cada dúvida com a prova social exata que o cliente precisa ouvir — e faz isso com a credibilidade de quem mostra a experiência de outro produtor, não a promessa de um vendedor.

Por fim, meça e refine. Acompanhe quais conteúdos de clientes geram mais engajamento, mais respostas e mais conversões, e peça mais do que funciona. O UGC não é uma campanha pontual, e sim um sistema contínuo: quanto mais você reconhece e distribui o conteúdo dos clientes, mais eles produzem, criando um ciclo virtuoso de autoridade e vendas orgânicas.

Para empresas que querem estruturar isso de forma profissional, vale designar um responsável pela curadoria de UGC — alguém que coleta, organiza, pede autorização e distribui o conteúdo entre marketing e vendas. Sem um dono claro, o material valioso que os clientes produzem se perde em conversas de WhatsApp e pastas desorganizadas. Com processo, cada depoimento e cada vídeo vira um ativo catalogado, pronto para ser usado na próxima campanha, na próxima proposta ou no próximo dia de campo. É essa disciplina de coleta e uso que separa as marcas que apenas recebem elogios das que transformam a satisfação dos clientes em crescimento mensurável.

Perguntas Frequentes sobre UGC no agronegócio

Preciso pagar os clientes para produzirem UGC?

Não necessariamente. Grande parte do UGC é espontânea e movida por satisfação e reconhecimento. Repostar, marcar e valorizar o cliente já é um incentivo poderoso. Programas de indicação com benefícios podem acelerar, mas o UGC deixa de ser tão crível se o público perceber que todo depoimento foi pago.

UGC serve para empresas B2B do agro, não só para vender ao produtor final?

Sim. Revendas, cooperativas, distribuidoras e indústrias podem usar depoimentos de clientes corporativos, cases de parceiros e conteúdos de RTVs e técnicos. No B2B, o “usuário” é a empresa ou o profissional que usou a solução, e a lógica da prova social entre pares continua valendo.

Como consigo autorização para usar o conteúdo do cliente?

Sempre peça autorização de uso de imagem por escrito, mesmo que simples, por mensagem ou termo assinado. Deixe claro onde o conteúdo será usado (redes, site, anúncios) e por quanto tempo. Isso protege sua empresa juridicamente e demonstra respeito com o cliente que colaborou.

E se eu receber um conteúdo negativo de um cliente?

Encare como oportunidade. Responda publicamente com transparência, resolva o problema e, quando possível, mostre a solução. Um cliente insatisfeito que é bem atendido costuma virar um dos melhores casos de UGC positivo. Ignorar ou apagar críticas, por outro lado, destrói a confiança que o UGC deveria construir.

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Rodrigo Loncarovich
Escrito por

Rodrigo Loncarovich

Fundador da Agro Academy. Especialista em marketing e vendas no agronegócio.

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